sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

A evolução dos games e sua revolução no mercado audiovisual através do Virtual Production.

 




O Processo de digitalização da imagem em movimento transformou os fluxos de produção do audiovisual e possibilitou o avanço das tecnologias de animação 2D e 3D. Essa mesma tecnologia serviu de base para produções dos games digitais cada vez mais realistas. Os grandes investimentos consequentes da corrida pela liderança neste lucrativo mercado dos games produziram um rápido avanço tecnológico, desenvolvendo poderosos hardwares e softwares de processamento de imagem. Sendo assim pode-se dizer que hoje é a indústria dos games que impulsiona a nova revolução dos modos de produção na TV, no cinema e nos programas de streaming.

Atendendo ao rápido crescimento das lives, durante a pandemia, o mercado semiprofissional, através dos aplicativos OBS e o vMix, acompanhados pelos switchers ATEM da Black Magic, desfrutavam do desenvolvimento dos softwares no processamento de vídeo digital, softwares que foram cada vez mais substituindo os robustos e caros equipamentos dominantes no mercado de vídeo switchers. Enquanto isso, os programadores de games na busca por maior performance e realismo, desenvolveram algoritmos altamente eficientes e leves, capazes de gerar universos tridimensionais virtuais, interativos e realistas, em tempo real.

Nesta batalha a Epic Games (Tecent -China) desenvolveu o software Unreal Engine 5, anunciado como a ferramenta mais poderosa de criação 3D em tempo real. Tal evolução não passou despercebida pelo mercado de audiovisual que logo entendeu suas aplicações no universo do broadcasting e do cinema. Tanto foi que a Sony em 2022 investiu pesado na Epic Games sendo atualmente detentora de mais do que 5% da empresa.

É fato que a empresa Tecent não deslanchou como principal líder no mercado de games, mas para nós da indústria criativa, sua tecnologia vem revolucionando o modo de produção audiovisual através da utilização de cenários, objetos de cena e até mesmo personagens virtuais, num conjunto de técnicas hoje chamada Virtual Production.

Entendendo esse momento, as produções estão deixando de construir grandes cidades cenográficas e diminuindo a montagem de sets em locações externas. Estão cada vez mais se
concentrando nos estúdios, evitando assim as intempéries e “humores” da natureza. Neste mesmo movimento e atentos às novas possibilidades tecnológicas, grandes estúdios vêm substituindo os fundos de chroma- key por painéis de led de alta definição. Assim novos fluxos de produção com o uso do Unreal em tempo real, trazem mais praticidade e realismo, tanto para cenários em Led(XR) quanto para a produção de cenários virtuais (V.R). Soluções que estão impactando na produtividade de forma definitiva. A versatilidade e o realismo dos cenários e sua possibilidade de interação com o elenco; considerando também a flexibilidade e agilidade nas adequações técnicas e estéticas até o último minuto, possibilitam um novo workflow sem precedentes. Essas técnicas trazem um novo papel para a pós-produção que se liberta de longos períodos em rendering e da constante necessidade de ajustes nos recortes do chroma-key e suas camadas em fundo verde.

Um bom exemplo desta mudança é a empresa Quanta que vem investindo massivamente nesta tecnologia, além de estar ampliando sua capacidade de atendimento. A Quanta vem construindo novos estúdios no Polo Rio Cine Vídeo que será gerido pela empresa durante os próximos 30 anos.

Mas a evolução dos softwares não termina por aqui: em 2017 uma empresa lotada em Budapeste vendeu sua primeira licença do software Aximmetry, uma interface programável que utiliza o conceito de conexão de nodes (similar ao UnReal e ao daVinci), que permite gerenciar e processar entradas e saídas de gráficos e vídeos através de infinitas combinações customizáveis. Desta forma, diversas fontes de vídeo podem ser adicionadas à uma composição reunindo chroma-key, canais alpha, animações e imagens em live-action, combinados com a saída 3D do Unreal, tudo em tempo real e em diferentes formatos e em múltiplos outputs. Esses recursos sempre foram limitados, até mesmo nas melhores mesas switchers do mercado.

Essas mudanças demandam serviços técnicos de profissionais cada vez mais capacitados capazes de reunir múltiplas competências com formação multidisciplinares.

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